Novo estudo sugere que vírus são seres vivos e que são mais antigos do que as células modernas

Novo estudo sugere que vírus são seres vivos e que são mais antigos do que as células modernas

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Os vírus tem um grande impacto em nossas vidas, e nós estamos tendo grande progresso em entender como nos proteger de certos tipo de vírus, como os causadores de gripe e aids. Porém, o ue os cientistas ainda não entraram em consenso é se estes são seres vivos ou não. Afinal, estes seres não conseguem sobreviver ou replicar sem uma célula hospedeira, e quando tratamos sobre a rápida mudança nos genes que os vírus conseguem fazer, a questão fica ainda mais complexa.

 

Agora, um estudo feito por uma equipe dos Estados Unidos nos mostrou a primeira árvore da vida dos vírus, sugerindo que os vírus são sim seres vivos e que são realmente antigos, obtendo uma história evolutiva compartilhada, longinquamente, com as células. “Os vírus agora merecem um lugar na árvore da vida dos seres vivos”, afirma o pesquisador Gustavo Caetano-Anollés.

A confusão sobre os vírus é resultado de seu ciclo de vida único. Especificadamente pelo fato que eles não conseguem metabolizar nutrientes, e que também não contém as proteínas necessárias para copiar seu próprio DNA e RNA – invadindo assim outras células para usar o aparato delas para copiar. Este fato levou a alguns cientistas a afirmarem que vírus eram apena DNA e RNA tirado de outras células que estavam envoltos em um pequeno envelope proteico.

Para tornas as coisas mais complicadas, alguns vírus tem números extremamente pequenos de genes, incluindo o vírus causador do Ebola, que consegue realizar o estrago observado a pouco tempo com apenas sete genes. Porém, alguns outros vírus descobertos recentemente contém mais genes que uma bactéria.

Várias tentativas foram feitas para mapear como estes diversos tipos de vírus evoluíram, mas, por conta de replicarem várias vezes seu genoma em cada célula hospedeira, seus genes sofreram mutações muito rapidamente e se ligam à alguns de seus hospedeiros, oferecendo a eles uma gama de variações quase impossível de se traçar na linhagem evolutiva.

Este novo estudo trouxe a ideia de olhar para as “dobras proteicas”, que são estruturas que permitem às proteínas assumirem padrões tridimensionais. Estas dobras são muito menos propensas à mudanças do que os genes virais, pois mesmo alterando algumas sequências genéticas o código para elas se altera pouco, mantendo um padrão estrutural.

Depois de analisarem estas dobras em 5.080 organismos e 3.460 vírus, os pesquisadores encontraram que vírus e células modernas compartilham 442 dobras protéicas, sendo apenas 66 específicas de vírus. Mas estas 66 não são nem um pouco parecidas com qualquer coisa já vista antes nas células modernas, o que contradiz a hipótese de que os vírus simplesmente roubaram todo o material genético de células.

Esta informação permitiu aos pesquisadores construir uma árvore da vida, que mostra que os vírus compartilham um ancestral comum com as células modernas, mas que eles são também mais antigos do que as células modernas.

“Os vírus se originaram a partir de múltiplas células anciãs, e co-existiram com o ancestral das células modernas”, descreve os pesquisadores para a revista Science Advances.

É claro que isso não significa que os vírus se encaixam perfeitamente em nossa definição de vida. Mas os pesquisadores sugerem que a evidência é forte o suficiente para que nós simplesmente expandamos nossos entendimentos sobre o que é algo vivo.

“Os vírus simplesmente tem um modo atípico de vida, que é ligeiramente diferente do nosso. Eles não são completamente independentes, porém conseguem se mover dentro e fora de nosso corpo, roubando recursos e produzindo descendentes. Nós precisamos ampliar nosso conceito de vida e de suas atividades associadas”, finaliza Gustavo.

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