Equipe internacional de astrônomos encontra oito pequenos sistemas estelares orbitando a Via Láctea

Espalhe a notícia...Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email

A descoberta pode ajudar a corroborar o modelo de formação das galáxias e permitir um estudo mais detalhado da natureza da matéria escura, abundante nesses sistemas.

Galáxia-FCiências

Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou, no céu do hemisfério Sul, oito novos sistemas estelares que orbitam a Via Láctea. A descoberta fornece elementos que ajudam a corroborar o modelo de formação das galáxias mais aceito atualmente e pode permitir um estudo detalhado da natureza da matéria escura, substância ainda pouco conhecida pelos cientistas responsável pela maior parte da massa do universo e abundante nesses sistemas estelares.

O feito é resultado do projeto Dark Energy Survey (DES), que durante cinco anos pretende fazer um levantamento profundo de uma ampla região do hemisfério Sul e conta com a participação de mais de 300 pesquisadores de cinco países, entre eles, o Brasil. Para o levantamento, são usados telescópio e câmera de altíssima tecnologia que registram imagens durante 100 noites por ano. O objetivo é determinar por que o universo está em expansão acelerada.

“Detectamos uma concentração de estrelas acima da média em uma faixa relativamente pequena do céu”, conta o astrônomo Marcio Maia, pesquisador do Observatório Nacional que faz parte do DES-Brazil, grupo que conta com apoio do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (Linea). “Após a análise, constatamos que eram sistemas satélites da Via Láctea nunca antes vistos”, diz.

“Esses objetos são constituídos por estrelas velhas e pobres em elementos químicos pesados, o que é típico de objetos situados no halo galáctico, a parte mais externa já medida da galáxia”, pontua Maia, acrescentando que a maioria deles se enquadra na definição de galáxias-anãs, devido ao seu tamanho. Embora ainda seja necessário fazer uma série de análises para verificar se são galáxias-anãs, a confirmação dessa hipótese aumentaria em um terço o número de objetos desse tipo conhecidos ao redor da Via Láctea.

Os sistemas estelares recém-descobertos medem entre 32 e 554 anos-luz (1 ano-luz equivale a 10 trilhões de quilômetros). Mas eles ocupam uma região do céu pequena para padrões astronômicos – o maior ocupa uma faixa da ordem de 0,1 grau (o diâmetro da lua cheia, por exemplo, é da ordem de 0,5 grau).

Esses sistemas localizam-se na direção de constelações como Reticulum (Retículo) e Eridanus (Rio) e suas distâncias em relação à Terra variam. O mais próximo se encontra a 95 mil anos-luz.

Formação das galáxias

Maia explica que, quando a Via Láctea se formou, fragmentos desse processo podem ter dado origem a galáxias menores (chamadas anãs) ao seu redor – mais especificamente no halo galáctico. As galáxias-anãs que estão no halo galáctico são objetos do universo ricos em matéria escura, substância postulada para explicar a atração gravitacional que mantém unidos os aglomerados de galáxias.

“Quando uma galáxia está se formando, há grandes ‘bolsões’ de matéria escura no espaço cuja constituição não conhecemos. Esse material atrai a matéria normal, constituída principalmente por hidrogênio, hélio e mais alguns dos elementos da tabela periódica”, acrescenta o astrônomo. “Ao se aglutinarem, esses elementos podem formar galáxias-anãs.”

Segundo essa explicação, deve haver um número maior de galáxias satélites do que o encontrado até hoje. Os novos dados – e o levantamento completo – do DES podem ajudar a corroborar esse modelo de formação das galáxias.

 

Matéria por: Valentina Leite
Ciência Hoje On-line

Publicado originalmente em: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2015/03/em-busca-das-galaxias-perdidas

Deixe uma resposta